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iTUGGA

Blog de um português...

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Guiné-Bissau envia delegação a Portugal por causa de assassínio de Bruno Candé!

Segundo o jornal Observador, foi autorizada a deslocação de uma delegação para "manter contactos com as autoridades portuguesas" sobre o assassínio de Bruno Candé e inteirar-se da situação dos cidadãos guineenses em Portugal!!? Vamos por partes, Bruno Candé era um cidadão português, foi assassinado em solo português. A delegação da Guiné vem fazer exactamente o quê? Apontar o dedo a quem? Ao Estado português?

Há racismo em Portugal?

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Nestes tempos difíceis para estátuas que representam figuras da nossa história, em entrevista à TVI, Rui Rio garantiu que o fenómeno do RACISMO não existe na sociedade como, à boleia de manifestações antiracistas, “ainda ficamos é racistas com tanta manifestação”. Parece que, para Rui Rio o racismo é lá nos EUA. Aqui não. Ou seja, o presidente do maior partido da oposição e aspirante a primeiro ministro passa ao lado dos problemas sociais do país, como se nada fosse. O que prova, que não só não conhece o país, como vive numa caixa hermética diferente ao que se passa à sua volta. Rui Rio tem esta triste e assustadora tirada digna de conversa de café, mas não é o único a pensar assim. O problema é muito mais amplo... e começa com as próprias manifestações e o que as despertou.

As manifestações contra o racismo em Portugal são, infelizmente, engraçadas. Quando mataram negros em Portugal; quando agentes de autoridade assassinaram um cidadão ucraniano; e quando na famosa Cova da Moura torturaram e mal trataram pessoas de cor, não houve manifestações em Portugal. Foi necessário o despertar da morte de um cidadão de cor em outro país, para depressa apontarem o dedo ao racismo. Racistas e hipócritas... é o que alguns são. Não esqueço, que muitos portugueses apelidam de "Monhé" ou "preto" o seu Primeiro Ministro.

Muitos não gostam de colocar o dedo na ferida, mas, Portugal é um país racista e vai continuar a sê-lo, enquanto existirem pessoas que vão a uma manifestação - felizmente não são a maioria -, porque não tem mais nada para fazer e querem publicar umas fotos nas redes sociais. Deve-se ir a uma manifestação por convicção e não porque está na moda ou é políticamente correcto...

 

E sim, Portugal é um país racista. Diferente dos EUA, mas também a sua história é diferente. O caminho é longo, e a não perder de vista. Mas temos de mudar as mentalidades.

Portugal "era" o país mais pobre da Europa

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(Arquivo pessoal - M. Novais)

Fotografia de 1950 onde mulheres e crianças foram encerradas numa cela de prisão na Chamusca, acusados do “crime” de recolherem lenha em propriedade privada, descalças e a chover para aquecerem os filhos e cozinharem. Portugal era o país mais pobre da Europa. Em alguns, pontos não estamos muito melhor...

Onde andam os responsáveis?

Há sempre alguém muito rápido no gatilho a disparar contra os populismos e a demagogia que atentam contra as liberdades das minorias e contra a democracia. Infelizmente, em Portugal a maior descredibilização dos políticos e da democracia não vem de populismos da esquerda ou da direita, mas do desaparecimento da responsabilidade política, tal como vimos em Pedrogão, em Tancos e em Borba. Somos um país onde a raça "responsável" está extinta. 

Dia das bruxas

por muitos também conhecido como Dia das Mulheres Sem Maquilhagem é festejado como "Allhallow-even" desde o tempo dos Celtas...  porque esta muito celebrada festividade "norte-americana" nasceu na Irlanda e marcava o fim do verão (Samhain). 

 

Há muito desaparecida como festividade pagã, foi substituída no calendário por uma ou outra mais católica: o Dia de Todos os Santos, Dia dos Finados ou Dia dos Mortos, Dia das Bruxa e claro Halloween. Nos Estados Unidos os miúdos pedem "doces" em troca de paz, sossego e de uma porta sem marcas de vingança, por cá, pedem Pão por Deus (ou o bolinho), que acaba por ser oferendas para os petices. Tudo em nome dos mortos que erram pelo mundo... as gomas e os caramelos são para os aventureiros que andam de porta em porta de saco na mão, o resto são histórias.

 

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foto de origem desconhecida

 

A opinião pública e/ou mainstream opinativo

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imagem: Garcon Comics

 

Segundo a opinião pública portuguesa - será que posso dizer mainstream opinativo? Não sei - Passos Coelho é um aldrabão, Sócrates um ladrão, Tancos é um caso de Mafia, Ronaldo está inocente, os chineses é que mandam nisto tudo, os bancos americanos são os donos da nossa banca e Maria Leal é uma "chula". Conclusões tiradas "a la palisse", muito por causa das crenças de cada um, e sempre baseadas na óptica dos meios de comunicação que melhor se enquadra na forma como nos apresentam o assunto. Este é o panorama geral da opinião pública do momento. No fundo são tudo suposições, que têm de ser provadas em local adquado, mas que o povo já julgou na sua "sabedoria onipotente e certeira". Basicamente são teorias da conspiração ou de defesa em formato popular. Se os resultados não são os que a opinião pública deseja, é porque o juíz é corrupto, a justiça está comprada ou a mais popular, os ricos safam-se sempre.Tudo isto independente da verdade apurada. O uso da opinião pública é assim a melhor forma de ganhar ou perder uma batalha, seja em que campo for... espero que no campo da justiça a opinião pública não seja tida em conta.

 

O pior para a verdade na opinião pública, não são as mentiras, são as convicções. Principalmente as convicções que formam a opinião pública e moldam a verdade conforme a óptica que se deseja. Esta opinião pública convicta não quer saber a verdade, quer apenas marcar posição. Resultado: a verdade não importa, o que importa é a opinião e a condenação. É aqui que a opinião pública se transforma em meio de manipulação, o mais importante, pois é ela que dá votos em dia de eleições, que dá a fama ou a tira. Por isso, surgue o lado mais negro das "alcoviteiras encartadas" e disseminadoras de factos - a manipulação da opinião pública pelos mídia e redes sociais (onde as fake news ganham cada vez mais ímpeto). Aqui, o problema não é tanto as pessoas acreditarem nas fake news, mas sim, não quererem acreditarem nas real news porque não se encaixa na convicção que apregoam. Ou seja, seguem o caminho que indicaram à manada e que está de acordo com as suas convicções.

 

Há quem julgue que pensa por si, imune aos meios de comunicação que moldam a opinião pública - alguns conseguem, mas a maioria segue o mainstream opinativo. A opinião pública é muito mais do que um conjunto de opiniões que o indivíduo pode expressar sem correr o risco de ser isolado dos restante, com o mesmo sentido e intensidade dentro da sociedade. A opinião pública é uma manada dirigida por "pastores" que sabem o caminho que o "gado" deve seguir...

Olhem para vocês

A sociedade em geral adora apontar o dedo aos outros esquecendo sempre os seus gostos e lacunas. Nunca somos nós que vemos, fazemos ou apludimos a vertente mais parola da cultura popular. É sempre o outro... o português extrovertido, porque nós somos o parolo envergonhado, o que não acompanha a parte saloia da sociedade. Os exemplos são mais do que muitos, da vergonha em se admitir a vertente mais "castiça" de nós mesmo:

 

- Por estes dias anda tudo muito indignado com a opção de voto dos brasileiros em Bolsonaro. Já se esqueceram que elegeram - Cavaco Silva. Pois, agora ninguém votou no Cavaco.

 

- O fenómeno CMTV, aquele canal que ninguém tem coragem de dizer que vê, mas que é o canal por cabo com mais audiência em Portugal.

 

- Maria, aquela revista com a secção saloia sobre o sexo, que ninguém lê, mas é a revista feminina mais vendida.

 

- Outra curiosidade são os cantores "pimba", ninguém ouve, é saloio, mas enchem as festas e os arraiais.

 

- As betas com dor de corno, que chamam saloia a Cristina Ferreira, mas que adoravam estar no lugar dela, mesmo que ganhassem metade do que ela ganha.

 

Somos um povo de aparências, com tiques de novo riquismo e muito invejoso... não vejo, nem aplaudo o que mencionei, mas admito, sou bimbo. Não podia ser outra  coisa, sou português.

O mundo, a democracia e a direita

Segundo Madeleine Albright, antiga secretária de Estado dos EUA: “O fascismo cresce onde as pessoas são convencidas de que toda a gente mente”. Concordo. Imaginem um país onde o governo é apanhado vezes sem conta a mentir, roubar e fugir!? O que acontece? Um voto de protesto, naturalmente. O voto de protesto, que em Portugal por norma fica no "movimento abstencionista", no Brasil vai ficar no espectro político oposto ao do anterior governo: a direita mais extrema. Qual o combustível deste movimento? O ressentimento, o medo, a ambição e o ódio. Nada de novo, pois muitos movimentos populistas/extremistas já varrem o mundo e a Europa em particular, pelos mesmos motivos. Logo, há que estar atento, não vá a democracia pregar-nos uma partida... mas, não podemos defendermos-nos dos movimentos mais radicais seguindo as mesma linhas do que eles - sendo anti-democratas. Uma pescadinha de rabo na boca... esta ditadura da maioria.