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Blog de um português...

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Há racismo em Portugal?

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Nestes tempos difíceis para estátuas que representam figuras da nossa história, em entrevista à TVI, Rui Rio garantiu que o fenómeno do RACISMO não existe na sociedade como, à boleia de manifestações antiracistas, “ainda ficamos é racistas com tanta manifestação”. Parece que, para Rui Rio o racismo é lá nos EUA. Aqui não. Ou seja, o presidente do maior partido da oposição e aspirante a primeiro ministro passa ao lado dos problemas sociais do país, como se nada fosse. O que prova, que não só não conhece o país, como vive numa caixa hermética diferente ao que se passa à sua volta. Rui Rio tem esta triste e assustadora tirada digna de conversa de café, mas não é o único a pensar assim. O problema é muito mais amplo... e começa com as próprias manifestações e o que as despertou.

As manifestações contra o racismo em Portugal são, infelizmente, engraçadas. Quando mataram negros em Portugal; quando agentes de autoridade assassinaram um cidadão ucraniano; e quando na famosa Cova da Moura torturaram e mal trataram pessoas de cor, não houve manifestações em Portugal. Foi necessário o despertar da morte de um cidadão de cor em outro país, para depressa apontarem o dedo ao racismo. Racistas e hipócritas... é o que alguns são. Não esqueço, que muitos portugueses apelidam de "Monhé" ou "preto" o seu Primeiro Ministro.

Muitos não gostam de colocar o dedo na ferida, mas, Portugal é um país racista e vai continuar a sê-lo, enquanto existirem pessoas que vão a uma manifestação - felizmente não são a maioria -, porque não tem mais nada para fazer e querem publicar umas fotos nas redes sociais. Deve-se ir a uma manifestação por convicção e não porque está na moda ou é políticamente correcto...

 

E sim, Portugal é um país racista. Diferente dos EUA, mas também a sua história é diferente. O caminho é longo, e a não perder de vista. Mas temos de mudar as mentalidades.

Coronavírus - Porque "há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana.

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Até há umas semanas atrás, muitos pensavam que o COVID-19 era coisa de chineses e que não nos tocava. Até há uns dias atrás, alguns ainda pensavam que o COVID-19 era um circo montado e exagerado pelos meios de comunicação social para amedrontar as pessoas. Espero que apartir de hoje, com o encerramento das escolas e discotecas e a redução da lotação dos restaurantes e dos centros comerciais percebam que a coisa é séria. Tão séria que há "gente curta de vista" que foi a correr aos supermercados com medo de ficarem sem papel higiénico (nunca ouviram falar de bidé - são norte-americanos?), outros ficaram com medo de não terem atum ou uma lata de sardinhas em casa e compraram centenas de unidades. 

Porque "há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana." - já dizia Albert Einstein - espero que as quarentenas, que por arrasto, dará a todos mais tempo para andar nas redes sociais não sirva para aumentar a estupidez em relação a um caso tão sério de saúde pública... 

Rainha Santa Isabel dos Santos

luandaleaks_160120_interna.jpg(imagem: retirada da net)

 

Até há uns tempos atrás Isabel dos Santos era uma espécie de santa e fazia milagres. Não transformava o pão em rosas, não deu dinheiro aos pobres, mas fazia o dinheiro aparecer nas suas contas bancárias espalhadas pelo mundo, por milagre. As suspeitas só foram conhecidas porque alguém, sem autorização, vazou mais de 700 mil documentos aos meios de comunicação britânicos. O que levanta outra questão: a discussão é o crime e não deve ser como ele foi revelado. Por estes dias já se pressegue-se a pessoa que expôs a informação e não a Santa Isabel dos Santos. Ambos estão mal, mas uma coisa não anula a outra.

 

O que Luanda Leaks mostra é aquilo que todos pensavam, mas não diziam: Isabel dos Santos não é santa e não faz milagres. “É bonita, esperta, bem educada. Mas também é uma tremenda ladra do seu povo”, parafraseando Ana Gomes. Este caso vem pôr a nu, como se fosse preciso, o estado do país e das elites, quer em Angola, quer em Portugal. Lembro-me do Berardo e do Ricardo Salgado. Em Angola há a acusação de corrupção. Por cá, não existe. No fundo a diferença entre Portugal e Angola é que comemos mais bacalhau. E a nossa Santa Isabel é mais fraquinha a fazer o milagre da multiplicação...

Há cada vez mais pessoas a dormir em tendas no centro de Lisboa

tenda sem abrigo.jpg(foto: Mafalda Gomes/Jornal i)

 

Há cada vez mais pessoas a dormir em tendas no centro de Lisboa. Este foi o título de primeira página que me levou a comprar o jornal i na versão em papel e fiquei chocado com o que li. Todos os lisboetas têm noção da existência de sem abrigos nas ruas da cidade, na sua maioria desempregados ou pessoas com problemas de drogas/alcóol. Da Almirante Reis até ao Cais do Sodré, passando pelo Rossio, vivem cerca de 400 pessoas nas ruas da cidade, e nem todas dormem debaixo de uma manta e enfiados numa qualquer caixa de cartão que um dia serviu para transportar um electrodoméstico. Nos últimos meses está a surgir um novo tipo de sem abrigo, aqueles que dormem em tendas nas ruas de Lisboa. Estes T1 de lona são a única habitação destes sem abrigo que até têm emprego, sejam efectivos ou alguns biscates, mas não ganham o suficiente para manterem o que toda a gente tem direito: uma casa. Um simples quarto na cidade custa 300 euros por mês, quando o subsídio de reinserção ronda os 200, sendo este um exemplo. Para uns ganharem centenas, outros honradamente vivem na rua.

Na reportagem perguntam a alguns do que tinham saudades nas suas vidas antes de virem "acampar" nas ruas da cidade mais cara de Portugal. Uns dizem que é só de uma cama, outros de algum tipo de comida que agora não têm oportunidade de comer.  Portugal continua como sempre:  a olhar para o lado sempre que não gosta do que vê... pior, há uns humanóides que se preocupam tanto com os gatinhos, gafanhotos e outros que tal, mas não são capazes de estender a mão ao seu semelhante. 

Isto de acampar em locais que o preço do metro quadrado chega aos 4000 euros é um luxo, dizem alguns sarcásticos... então comprem uma tenda e vão acampar para o centro da cidade.