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iTUGGA

Blog de um português...

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É Mãe

Conversa entre uma mãe e a educadora no ATL da minha filha:

 

“Fica no quarto a jogar o dia todo, não consigo fazer nada dele." - é o tipo de frase que vai dar cabo de uma geração inteira. Quando uma mãe não tem mão no filho, imaginem os outros.

 

"Eu como educadora, prefiro muito mais, a playstation, os jogos virtuais, os amigos virtuais, do que as seringas, as drogas, as bebidas alcoólicas e os ditos amigos "verdadeiros". Os jogos virtuais, parecem um mal menor. Tenho um filho com 25 anos e tem sido um grande orgulho." - assim se criam nerds, incapazes e virgens até aos 40...

 

 

Reunião de pais - a nova coordenadora é terrível

A nova coordenadora do agrupamento de escolas onde os meus educandos estudam, é lixada. Silenciou alguns pais, deixou outros à beira de um ataque de nervos, colocou outros aos gritos - que belo exemplo têm aquelas crianças - e deixou alguns de boca aberta. Eu, simplesmente dei-lhe razão, sem abrir a boca numa reunião que durou mais de duas horas. Excertos do discurso da coordenadora: 

 

É interessante como os pais reagem, quando os professores lhes dizem: "o seu filho é muito inteligente...mas", os mesmos ficam em pânico com o "o seu filho é" e o "mas" mas nunca com o " muito inteligente"...

 

Há pais que ainda não perceberam que os filhos não são hiper-activos. São simplesmente mal educados...

 

Oferecer um smartphone de 500 euros a uma criança de 9 anos, não a torna melhor aluno. Simplesmente torna-a mimada...

 

Espero não ver todos os dias as mães nas grades da escola durante o intervalo a tomar conta dos filhos como se estivessem na creche. As crianças têm que evoluir, não podem chegar à 4 classe e nem os sapatos saberem atar. Tudo porque estão habituadas que os pais façam tudo...

 

E pronto, o batalhão das mães galinha e a "filarmónica" dos pais "meu querido filho", caíram em cima da mulher.

 

 

Somos um país pobre

Estando num país em que a preocupação de alguns pais é dar aos putos coisas de marca em vez de os alimentar convenientemente... tenho dificuldade em perceber se a pobreza - que infelizmente existe e está muitas vezes encoberta pela vergonha - é de espírito ou socio-económica.

Início do ano lectivo e a má alimentação

No início de mais um ano lectivo repetem-se os anúncios de bebidas 100% fruta para os lanches da pequenada num belíssimo pacote de plástico. Fica a sugestão: 100% é fruta. É uma maçã, uma pêra... perceberam?

 

escola deve ser um lugar de promoção de hábitos saudáveis, mas os pais também o devem fazer. Mandem na lancheira dos vossos filhos uma peça de fruta no lugar de concentrados e sumos pseudo-saudáveis.

 

Infelizmente, muitos pais ainda tem uma mentalidade estatutária. Os filhos têm de levar o sumo mais caro da prateleira do supermercado, isso de levar fruta é coisa de "pobre". Tive esse exemplo numa reunião da minha filha mais velha, em que uma mãe num tom de superioridade avança: "O Martim não bebe sumo de marca branca, só bebe Ceres. A melhor fruta" Como se a aquela porcaria não fosse igualmente prejudicial para os miúdos. 

 

As minhas filhas levam fruta na lancheira a par de outras asneiradas alimentares, mas a fruta está sempre presente. No ano lectivo passado a mais velha em tom de desabafo contou em casa que os colegas lhe perguntaram se não tinha dinheiro para comprar sumos!! Ao que ela respondeu, "bebo sumo sempre que me apetece, mas prefiro fruta". Um dos colegas disse-lhe que era estranha(!)

 

Mais vale o menino parecer bem, do que comer saudável, é a conclusão que retiro do episódio. Deixem-se de essências e sumos cheios de E's que ninguém sabe o que são. Nada bate uma peça de fruta...

 

Os Maias deixam de ser de leitura obrigatória no secundário!!

Na aprendizagem essencial para Português no secundário, os alunos devem ler um romance de Eça de Queirós, à escolha do professor. Provavelmente "Os Maias" serão os primeiros a saltar.

 

É bom que não leiam os Maias; ainda corremos o risco de perceberem que estamos basicamente iguais aos gajos do século XIX. Mas, para quem quer conhecer a história da família Maia, aqui fica um resumo escrito pelo RAP:

 

"Era uma vez um gajo chamado Carlos, que vivia numa casa tão grande que levava p’raí umas vinte páginas a dizer como é que era. Quem gosta de imobiliário, tem aqui um petisco, porque aquilo tem assoalhadas grandes e boas e, pronto, mas p’ra mim não serve, que eu imóveis só com a fotografia, que às vezes um gajo é artista a escrever e depois uma pessoa vai a ver a casa e não tem nada a ver com o que imaginou.

 

Portanto, o gajo chama-se Carlos e o pai matou-se quando ele era pequeno, porque a mulher fugiu com um italiano e levou a filha que eles também tinham e… e ele matou-se, não faz sentido, porque o que não falta p’raí são gajas. Ora o puto fica com o avô e tal, vai crescendo e torna-se um gajo fino, bem vestido e que vai a boas festas.

 

Às tantas vê uma gaja e pensa: “Ui, que gaja tão boa!” e p’raí na página 400 começam a ir para a cama os dois e andam aí umas boas 200 páginas, pim, pim, troca e vira e agora nesta casa e agora naquela e pumba e… só que às tantas vem um gajo e diz: “-Eh pá, olha que a moça é tua irmã!” e o Carlos fica “eh pá, isso não pode ser, que nojo!” de maneiras que dá-lhe só mais duas ou três trolitadas e vai dar uma volta ao mundo, para espairecer, e acaba tudo em bem porque, ao menos, não tiveram filhos.

 

Porque se tivessem eram, de certeza, meio tantans, babavam-se, como o meu primo Zé Luís, que os pais também eram parentes."