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Monchique - a cadeia de comando

Vítor Vaz Pinto, comandante distrital da Proteção Civil de Faro, coordenou as operações de combate ao incêndio de Monchique durante cinco dias. Ao quinto dia, a coordenação do incêndio passou para o comando nacional o que levou muita gente a pensar que o Governo o tinha afastado. Na realidade a substituição foi praticamente automática a partir do momento em que o nível de incêndio subiu de quatro para cinco.

 

Sistema de Gestão de Operações esclarece no artigo 1º que deve ser garantido o “desenvolvimento de um sistema evolutivo de comando e controlo adequado à situação em curso”. Ou seja: quanto maior o incêndio, maior terá de ser a hierarquia do comando.

 

Ora aqui é que está o erro que já no passado deu maus resultados. Compreendo que seja complicado comandar um número elevado de efectivos e veículos e por isso que se tenha de subir a hierarquia de comando. Por outro lado, quem é que conhece melhor a região? O comandante distrital ou um tipo que passa o tempo sentado numa cadeira em Lisboa?

 

Como é óbvio quem está no terreno vai passando informação à cadeia de comando, mas há sempre falhas e pequenos detalhes - como caminhos - que apenas os locais conhecem. Resultado: descoordenação entre efectivos e a realidade no terreno. Assim foi em Pedrógrão e assim voltou acontecer...

 

Um grande obrigado a quem neste momento tão crítico está a combater as chamas.

7 comentários

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    Sarin 11.08.2018 00:48

    Efectivamene, um facto.
    Mas um falso facto político.

    Portugal arde porque Portugal não tem, nem nunca teve, uma Política Florestal ou uma Política de Protecção Civil.

    Um partido ecologista estará tendencialmente mais ligado ao Ordenamento do Território e a Políticas Florestais. Facto político seria a ausência de pressão para revisão destas matérias - que apenas terão efeito no médio e no longo-prazo. Acontece que há pressão nesse sentido - tanta quanto a que consegue exercer um dedo mindinho nos bíceps de um peso-pesado. E por peso-pesado leia-se PS, PSD e CDS, partidos que tiveram ministros na pasta das Florestas, da Protecção Civil, do Ordenamento e que fizeram tudo o que temos hoje nesta matéria. Ou seja, nada. Fizeram e continuam a fazer, os projectos continuam a ser mantidos na gaveta da AR "discussões para mais tarde" - apenas porque os resultados são, como disse, no médio e no longo-prazo, i.e, não produzem efeitos numa legislatura. E talvez sejam conflituantes com os interesses de grandes apoiantes, quiçá???
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    Zé Gato 11.08.2018 19:25

    Portugal já teve uma Política Florestal, não era a melhor, mas existia. Até ai, existiam Guardas Florestais e Carros de Bombeiros propriamente equipados para combate a incêndios florestais (Baribi) assim como torres de vigilância nas matas. Curiosamente foi António Costa quando foi Ministro da Administração Interna que acabou com ela durante o Governo de Sócrates.
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    Sarin 11.08.2018 19:53

    Não era política florestal, era mecanismo de vigilância e combate a incêndios.

    Política florestal, ou melhor, arremedo de Política Florestal surgiu em 2007 com esse mesmo Governo, mas pela mão de Jaime Silva. Foi anulada com Cristas.

    A Floresta e o Mar sempre foram parentes pobres da Agricultura, esta também uma orfã de políticas internas.


    António Costa foi responsável pelo desmantelamento da Guarda Florestal - mas convém recordar que existia um SEPNA na GNR, criado mas não regulamentado em 2001. Em 2005 Costa reorganizou aquilo que eram afinal duas guardas para o mesmo fim.

    Já agora, os guardas-florestais não impediam fogos: de 1983 a 1998 a curva foi continuamente ascendente, em incidências e em área ardida, com especial relevância nos anos de 1989, 1995, 1998. E certamente se recordará de 2003, 2005, 2013...

    Não vale a pena, Pedro, TODOS os que nos governaram foram e são responsáveis pela inexistência de Ordenamento Florestal ou de Protecção Civil. Falar no desmantelamento da Guarda Florestal como se tivesse impacto na situação é ou desconhecimento ou chicana.
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    Alfredo Fiel 11.08.2018 22:23

    não o conheço. mas com todo o respeito, quero dizer que mas está a ver a coisa na perpectiva errada. eu assim como o autor deste site fomos Bombeiros de alma e coração eu no meu tempo ele no dele. no ano passado o Pedro passou por momentos aflitivos e quase morreu no combate ás chamas na terra da família - pedrógrão grande. quem foi bombeiro numa zona de pinhal denso como é pedrógrão sabe qual a diferença do antes e depois dos guardas florestais na nossa zona. incêndios sempre os houve e vai haver, mas de grande dimensões eram escassos. para não falar do corte que o costa fez nas viaturas para fogos florestais. eu que sou velho quase 70 anos ainda me lembro como era a floresta e como é. todos tinham medo dos guardas florestais e limpavam as suas terras, agora é uma vergonha. chegou onde chegou.
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    Sarin 11.08.2018 23:22

    Sou quarentona e integrei a gestão de mais de 12.000ha de Floresta. Lidei com bombeiros, sapadores, DGRF, AFN, FFP, ICN, ICNB, IFCN, SEPNA, Governos Civis e autarquias, e mais umas quantas organizações ligadas ao Ambiente e à Agricultura.

    Não estou a ver a questão de forma errada: A Guarda Florestal vinha moribunda desde o início de '90.

    Desculpe a repetição, mas não sei se lerá as minhas outras respostas ao Pedro

    http://expressoemprego.pt/noticias/guardas-florestais-precisam-se/1018
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    Zé Gato 13.08.2018 14:38

    A GF a partir de meados dos anos 90 por decisão política foi diminuída em todos os aspectos, mas deveria ter sido substituída por algo melhor, com mais vigilância e torres. Nos últimos anos não vejo ninguém a vigiar a floresta - com excepção do exército o ano passado e já depois de todo ardido.

    É a política da "depois da casa assaltada é que coloca trancas na porta".
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