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Mais touradas na RTP1

O canal público RTP1 - aquele que é pago com os nossos impostos - está mais uma vez a transmitir tourada que é organizada pelo próprio canal. O touro já tem 6 ferros espetados no lombo, que entram 15 a 20 cm entranhados na carne, está a sangrar, exausto e a morrer de dor. Em cima do cavalo está alguém que acha que é um herói...

 

Estou farto de ver sempre as mesmas caras nas praças da tortura. Estou farto de ver agrobetos de camisa branca Ralph Lauren a aplaudir as estocadas no touro.  Estou farto de ver cavaleiros com trajes fidalgos do século XVIII que espetam um touro indefeso. "Vingo-me" nos forcados sempre que levam uma cornada que os derrube. Já estou como o Vitor Espadinha: "que se f0$@" as touradas. A tradição não deve ser o que era...

 

Estou à espera que a RTP1 a seguir transmita coisas consensuais tipo autos-de-fé, decapitações, apedrejamentos suscitados por ódios étnicos ou procissões em Fátima neste nosso Estado laico... já que transmitem tortura.

 

 

8 comentários

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    Zé Gato 18.08.2018 20:01

    Quem defende a abolição da tourada defende a abolição de qualquer prática que implique sofrimento para o animal, está implícito. Também não me lembro de qualquer outra prática cultural em portugal que seja tão violênta para os animais.

    Apesar de não estar directamente ligado as touradas - pelo facto de não concordar com elas - sei que já foram realizados plano de abandono das touradas e entregues a quem de direito - Ministério da Cultura. Não houve qualquer resposta.

    Quem luta contra as touradas , luta contra todas, não apenas a uma especifica. Como o meu amigo escreveu (Zé não te perdoo seres um bufo) as touradas são negócio de poucos, pois com a excepção dos cavaleiros e criadores (que são todos família - os que participam nas lides) todos os outros intervenientes apenas o fazem por prazer ou como voluntários (quando há cavaleiros que levam 15 mil euros por particação). Os empregos gerados pela actividade são "poucos", a nível nacional deve rondar os 800 empregados e já a contar com a companhia das Lezírias. E são todos família, porque é tradição da família e assim seguem o elitismo. Todo o circuito da touradas e afins são dos mesmos, com pontuais excepções: ganadarias, transporte, os eventos, a venda de sémen e na maior parte das vezes até as manadas de chocas o são - um abraço para o Mestre João que está neste momento a gravar cenas para um série francesa em Almeirim - por isso o verdadeiro negócio das lides pertence a poucos que ganham muito, mas poucos de lá tiram sustento: não é a pagar 650 euros a recibos verde que se governa uma casa condignamente e muitas vezes trabalham ao fim de semana e não ganham mais por isso. Os poucos têm contrato e ganham o ordenado mínimo. Muitas vezes para ganhar o sustento têm que trabalhar para outro patrão. Esta é a realidade laboral das touradas.

    O trocadilho das camisas RL tem haver com o simbolismo que elas têm, assim como os sapatos vela (que também uso) - as touradas são realizadas por uma suposta "elite" reduzida a meia dúzia de famílias para o povo ver e pagar. Se as pessoas sonhassem o que se passa dentro do curro a maior parte não queria nada com touradas.

    Alguns argumentam que se não fossem as touradas os touros bravos estavam extintos. Não concordo, mas por outro lado noventa por cento das espécies que já existiram estão extintas. Não fomos nós que as matámos todas, é o curso da natureza. Se for de forma natural, é deixá-las ir - o problema é somos quase sempre nós que estragamos a natureza. Se temos que os "sustentar" para depois mata-los, não é preserva-los.

    Os touros não nasceram para a lide, os touros são animais territoriais e bravos, e, como tal, quem lhes invade o território sujeita-se a levar uma cornada. Fora isso, são animais normais que são colocados entre a bandarilha e as tábuas e que se vêem forçados a investir nos forcados.

    Sim, gosto de animais, mas não gosto de touradas porque é um contra senso. Não vou a um evento apenas porque parece bem aos amigos e as tias e tios e sempre podemos aparecer na Caras ou na VIP. Conheço relativamente o ofício, por isso, como disse o Espadinha: F.... para as touradas.

    Comparar as touradas ao Dressage ou é de quem não percebe da poda. Desbastar (treinar) um cavalo não implica violência ou as provas em si. Devo dizer que as esporas são redondas e se um cavalo se sentir agredido faz o contrário do que o cavaleiro quer.

    PS - Já que o ZÉ deu com os dentes: Herdade da Estrela em Torres Vedras
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    Sarin 18.08.2018 20:26

    Não está implícito, Pedro, e posso dizer-lhe mais: conheço activistas que são contra as touradas mas não se preocupam com o abandono dos animais de estimação nem percebem qual o problema com os animais do circo ou do zoo.

    Raramente percebem a alusão ao Dressage... diga-me, Pedro, obrigar o animal a movimentos que lhe não são naturais por uma questão exibicionista e competitiva justifica-se porque...?
    Sem falar dos problemas de saúde recorrentes associados a determinados movimentos.
    Não se trata da poda - trata-se do Princípio. É contra-natura e é executado por mero gáudio. As consequências são distintas, mas o Princípio é o mesmo. Mas como não mete sangue, não choca.

    Por falar em chocas, sabe certamente que há vários produtores marginais que abastecem os circuitos menores. E que dependem de tal actividade.

    Contra a qual sou. Apenas não peço o fim das touradas: peço o fim dos abusos sobre os animais. Por Princípio.


    Concordo, afirmar que a tourada garante a sbrevivência da espécie taurina é falacioso.
    Tal como justificar os jardins zoológicos pela necessidade de preservar espécies em extinção: se querem preservar, façam reservas com hospitais nos seus habitats; os custos ambientais de recriar habitats, especialmente a climatização, não são despiciendos, e o animal está sempre sujeito a condições stressantes. Mas como já não estão em jaulas, está tudo bem, dizem muitos activistas contra as touradas.

    Não sou activista contra as touradas. Sou defensora dos direitos transversais dos animais.

    Não conheço a Herdade. Mas as que conheço são Ribatejanas e, principalmente, Alentejanas :)
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    Zé Gato 18.08.2018 21:32

    Como escrevi em outro comentário, os maus tratos a todos os animais está implícito. Cada um fala por si, na minha opinião se têm esse procedimento não podem ser considerados activistas, serão no máximo seguidores de alguma tendência. Está na moda defender em público os animais mas depois esquecem-se dos resto.

    Percebi a alusão ao Dressage e onde queria chegar. "(...) obrigar o animal a movimentos que lhe não são naturais (...)"!!? Dressage significa "treinar" com o objectivo de auxiliar o cavalo a desenvolver, através de diversos exercícios, a capacidade de executar todos os seus movimentos naturais. Sim aqueles movimentos são naturais em algumas raças. Por isso nem todas as raças servem para fazer Dressage porque a sua estrutura genética e óssea não lhes permite fazer os exercícios naturalmente (o Lusitano é uma raça que faz Dressage naturalmente, treina é a coordenação de tais movimentos. Um movimento que choca os leigos na matéria é a "cabriola" - também existe o termo na dança - os cavalos Lusitanos executam-na mesmo sem treino, é como se tivessem a espreguiçar).

    Claro que há sempre imbecis que tentam forçar as bestas - é assim que lhes chamamos - a treinar exercícios que não são adequados para a raça, mas esses animais nunca irão fazer Dressage, porque naturalmente não nasceram para o fazer.

    O que os cavalos não nasceram para fazer naturalmente é puxar carroças e cargas pesadas, mas é isso que fazem há séculos....

    A relação entre o cavaleiro tem sempre de ser baseada em amizade, confiança e respeito mútuo. Um cavalo obrigado, ou picado, não faz o que lhe pedem, muito pelo contrário. Nós nunca mandaremos num cavalo.. podemos apenas domestica-lo.

    Ficaria admirado se conhece-se a herdade. Temos uma mais pequena no Ribatejo onde vivo, sem cavalos.

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    Sarin 18.08.2018 22:17

    Pedro, certamente sabe que Dressage é uma modalidade, portanto a explicação sobre o que significa o termo e o que fazem ou não fazem cavaleiro e cavalo e o que pensa sobre os que forçam os cavalos é muito interessante e eloquente mas foge ao contexto: os animais magoados dopados para competir, os movimentos contra-natura (falo dos movimentos laterais, falo do caminhar em duas patas), o stress das deslocações... para competir para gáudio da vaidade humana.

    Nenhum animal nasceu para servir outro animal - mas já que os homens domesticaram animais então que se estabeleçam relações de mutualismo.
    Já agora, Sabe que os ganadeiros e os cavaleiros tauromáquicos e os forcados também falam em respeito pelo animal, certo? :)
    São níveis distintos de sofrimento, mas ele existe. Gratuitamente; mas faz parte do negócio...


    Exerci actividade, nos primeiros anos, entre Ribatejo e Alentejo, com especial incidência neste. Na Estremadura e Beira Litoral só conheço floresta e horto-frutícolas.
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    Zé Gato 18.08.2018 23:09

    Como já escrevic sou defensor de todos os animais, mas o post em questão é referente à tourada e não a outros animais. Quem puxou a Dressage ao post não fui eu.

    Na Dressage não há movimentos anti- natura, só para quem não conhece o desporto. O que os cavalos mais fazem naturalmente e sem treino - não todas as raças - são movimentos laterais ou andar em duas patas. Um Lusitano quanto está stressado com outra besta anda em duas patas na direcção dele, como já disse, o treino existe para coordenação dos movimentos.

    Os animais de Dressage assim como os das touradas ou outro desporto qualquer ficam de facto stressados com as as viagens, mesmo em camiões/roulotes dos melhores carroçadores. A minha família que não ganha numa tarde 10 ou 15 mil euros como alguns cavaleiros tauromáquicos temos viaturas para os animais, melhores do que as nossas próprias, por sabermos o stress que as bestas sofrem. Na tauro maquia apenas me lembro do camião do Bastinhas que também tinha ar condicionado para as bestas.

    Em público todos respeitam os animais, na intimidade sei bem o que se passa, porque infelizmente o vejo todos os dias. E se alguém pede calma com a animal a resposta é: " o animal é meu". Com os cavalos preparados para a tauromaquia é vergonhoso: picam o cavalo até sangrar e colocam um "espantalho" a imitar um touro à sua frente para o cavalo perder o medo e correr para o touro.

    Não tenho conhecimento de qualquer animal dopado para fazer Dressage ou até mesmo touradas, até porque um lusitano é bastante mais sensível a drogas do que a maior parte das raças. Em relação as corridas de cavalos, apesar de legalizadas em Portugal, tenho ouvido ruídos de fundo de batota com as bestas.

    Já existem algumas herdades na zona de Torres Vedras, sendo uma de Maurício do Vale especialista da tauromaquia e que tem outra Chamusca e outra se não estou em erro, de Sónia Matias, mas há mais.

    A criação de cavalos pelo espaço que ocupa e na maior parte das vezes pelo cheiro e moscas que dai advém (isto dos cavalos é muito giro, mas é na televisão, a realidade é outra) é mal vista por muitos municípios. Tenho um amigo que queria transformar as terras que herdou do avô numa herdade para criar e desbastar cavalos, longe de tudo e o município negou-lhe a licença, invocando o mau cheiro, apesar de ter tudo aprovado pelas outras instituições - isto passou-se no conselho de Porto de Mós.

    PS- tenho ao meu lado o desbocado Zé Gato, que diz que se tivessémos a "discutir" este assunto onde estamos (estou em Samora Correia terra de campinos e defensores das touradas e tenho um grupo de forcados ao meu lado) ou estava tudo calado a ouvir-nos ou já andava tudo à batatada...
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    Sarin 18.08.2018 23:45

    Veja lá, Pedro, se não se engana e não pica a tecla de leitura

    Fui eu que puxei o Dressage tal como puxei a pesca desportiva ou a corrida de galgos - puxo sempre que se fala em proibir touradas...

    Acredito que na sua família tratem bem os animais; mas competição é negócio, e sim, há inúmeros abusos sobre as estrelas da companhia. As leis do bem-estar animal vieram colocar algumas regras, mas o Pedro sabe, eu sei e o seu amigo Zé Gato talvez também saiba que nem todos as cumprem. Não pode extrapolar a sua experiência tornando-a universal porque infelizmente a realidade não é essa.

    Por isso, não sou contra as touradas: sou contra toda a actividade, desportiva ou cultural, profissional ou amadora, que inflija sofrimento ao animal. Tal como sou contra práticas abusivas na produção animal para consumo.
    E insisto: arranjem alternativas que permitam espectáculo na resposta animal sem colocar em causa o seu bem estar, ou proíbam-se, criminalizando, tais actividades - mas com prazo suficiente para a reconversão dos animais e dos empregos.

    Nada a fazer, Pedro, nesta matéria sou irredutível: o orgulho humano não pergunta ao animal se se quer exibir, apenas se exibe e usa o animal na exibição

    Declaração de interesse: desde miúda que gosto de Dressage; e não perco um programa da Spanische Hofreitschule.


    PS: Porto de Mós? Não será Juncal? :)
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    Zé Gato 19.08.2018 00:14

    Isto de ler e escrever comentários no telefone e num bar cheio, é complicado, publiquei o meu comentário sem ler e deu numa escrita no mínimo cheia de erros e ausência de letras.

    O que importa é tratem bem os animais, o que nem sempre acontece, como é exemplo as touradas e outras actividades como os circos e criação.

    Spanische Hofreitschule!! Muito bem, das melhores escolas do mundo. O meu cunhado está lá a fazer uma formação que é parcialmente em alemão e ele não percebe nada.

    Porto de Mós tenho a certeza, mas creio que não foi no Juncal, mas creio que já fui à zona fazer um casamento com charrua e tudo o resto para esses lados!!!

    Segundo o desbocado - aqui ao meu lado - chamava-se Chão de "qualquer coisa" perto do Parque Natural dos Candeeiros.

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