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Agitada e sensacional entrevista com Adolfo Hitler - por António Ferro

Fez este ano 73 anos que a II Guerra Mundial terminou. Para relembrar a data o DN republica a entrevista de António Ferro a Hitler, em 1930, quando o nazi ainda não tinha chegado ao poder. 

 

O problema em entrevistar Hitler, como António Ferro bem sabia, era que ele detestava dar entrevistas, desconfiava de todos os jornalistas (sobretudo dos que não falavam alemão), desprezava os países de origem latina e vivia cercado de guarda costas fardados, a que Ferro chamou a “camisaria castanha”.

 

Foi uma entrevista fugaz de três minutos em pé e sobre um olhar arrogante de Hitler. Foram apenas três perguntas, mas valeram a ida a Munique. A entrevista a Hitler de António Ferro: 

 

Hitler, que não se senta, que fica em sentido, escoltado pelos seus "fiéis", comanda nervosamente:

- Três perguntas rápidas e expressivas.

 

Faço fogo:

- O seu partido é o partido da paz ou o partido da guerra?

Resposta breve, incisiva, sacudida:

- O meu partido é o partido da paz, mas não da paz de Versalhes!

E Hitler, metendo as mãos nos bolsos, olha-me com arrogância, como se eu fosse, de facto, um francês disfarçado.

 

Descarrego novamente:

- Há quem afirme que muitos comunistas têm ingressado dentro do seu partido, depois das eleições. É verdade?

E Hitler, sempre com a mesma voz militar, satisfeito pela pergunta-reclamo:

- Não é verdade! Os nacionais-socialistas são os maiores inimigos de Moscovo, a única verdadeira muralha, na Europa, contra o bolchevismo! Respeitamos, respeitaremos sempre a propriedade particular e todos os esforços individuais.

 

Terceira e última pergunta, a bala de canhão:

- O partido nacional-socialista é um partido monárquico ou é um partido imperialista indiferente à forma de regime?

Hitler corrige:

- Nem monárquicos nem imperialistas, alemães apenas! Monroe queria a América para os americanos... Eu e os meus partidários queremos a Alemanha para os alemães! E aqui tem, em quatro palavras, todo o meu programa.

 

Calcanhares unidos, numa pancada seca, saudação fascista, braço erguido, e Hitler retira-se - Um! dois! Um! dois! Um! dois! - como se fosse já para a guerra, seguido pelo seu ajudante impecável, feito de uma só peça, de uma peça de artilharia.

 

Para retirarem as vossas conclusões, recomendo a leitura hoje republicada.

 

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