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iTUGGA

Blog de um português...

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Touradas, espectáculo de agrobetos

Há coisinhas que começam a ser demais. A televisão pública é uma delas...  estou saturado de levar com cavalos e touros semana após semana na televisão pública, aquela que é paga com o nosso dinheirinho. 

Farto de ver bancadas repletas de pseudo tios e tias de várias idades, dos 14 à idade de tocarem castanholas com a placa, a fingirem que percebem "um boi" do espectáculo deprimente de tortura bovina que se desenrola à frente das pestanas carregadinhas de eyeliner Chanel comprado na feira domingueira. 

Uma paisagem de vaidades para lá do suportável. Se entrasse um homem vestido de touro a cantar Sinatra metade da audiência não reparava. As camisas brancas abertas até ao umbigo Ralph Lauren dos Bernardos e dos Salvadores, as Matildes agarradas às SMS e ao Facebook e as avozinhas a abanarem vigorosamente os leques com trejeitos afectados, prestes a colapsarem porque os meninos correm o risco de levar com um corno no recto, formam os espectadores das lides. Ora, estas personagens não são uma amostra significativa da população nacional, mas é quem assiste às touradas.

Um cheiro de bosta de cavalo, palha molhada, after-sun da Nívea e cachorros empesta o ar. As touradas são simplesmente uma feira de vaidades onde para prazer de alguns imbecis maltratam animais.

Pedrógrão e as moradas fiscais falsas

O Ministério Público irá investigar, e bem, a veracidade das moradas fiscais das pessoas cujas casas arderam em Pedrógão Grande. Mas, se fossem deputados, a palavra de honra seria suficiente...

 

Ou seja, existe um denominador comum entre os indivíduos que alteraram a morada fiscal para que lhes reconstruam as casas em Pedrógão e aqueles que fizeram o mesmo para receberem mais subsídios em São Bento: são portugueses... a diferença é que uns são deputados e a palavra deles basta, os outros têm de provar por A+B que o que herdaram do pai é mesmo deles.

Os Maias deixam de ser de leitura obrigatória no secundário!!

Na aprendizagem essencial para Português no secundário, os alunos devem ler um romance de Eça de Queirós, à escolha do professor. Provavelmente "Os Maias" serão os primeiros a saltar.

 

É bom que não leiam os Maias; ainda corremos o risco de perceberem que estamos basicamente iguais aos gajos do século XIX. Mas, para quem quer conhecer a história da família Maia, aqui fica um resumo escrito pelo RAP:

 

"Era uma vez um gajo chamado Carlos, que vivia numa casa tão grande que levava p’raí umas vinte páginas a dizer como é que era. Quem gosta de imobiliário, tem aqui um petisco, porque aquilo tem assoalhadas grandes e boas e, pronto, mas p’ra mim não serve, que eu imóveis só com a fotografia, que às vezes um gajo é artista a escrever e depois uma pessoa vai a ver a casa e não tem nada a ver com o que imaginou.

 

Portanto, o gajo chama-se Carlos e o pai matou-se quando ele era pequeno, porque a mulher fugiu com um italiano e levou a filha que eles também tinham e… e ele matou-se, não faz sentido, porque o que não falta p’raí são gajas. Ora o puto fica com o avô e tal, vai crescendo e torna-se um gajo fino, bem vestido e que vai a boas festas.

 

Às tantas vê uma gaja e pensa: “Ui, que gaja tão boa!” e p’raí na página 400 começam a ir para a cama os dois e andam aí umas boas 200 páginas, pim, pim, troca e vira e agora nesta casa e agora naquela e pumba e… só que às tantas vem um gajo e diz: “-Eh pá, olha que a moça é tua irmã!” e o Carlos fica “eh pá, isso não pode ser, que nojo!” de maneiras que dá-lhe só mais duas ou três trolitadas e vai dar uma volta ao mundo, para espairecer, e acaba tudo em bem porque, ao menos, não tiveram filhos.

 

Porque se tivessem eram, de certeza, meio tantans, babavam-se, como o meu primo Zé Luís, que os pais também eram parentes."